domingo, 26 de maio de 2013

Palavras

Palavras são a forma com que muitos decidem se comunicar e expressar. Sua origem remonta tempos de outrora, os quais não são definidos com total precisão. As palavras trazem em si uma vasta quantidade de significados. Podem tanto expressar algo simples e facilmente imaginável, como podem representar algo abstrato, como sentimentos e emoções. 
As palavras são capazes de criar e até mesmo de destruir. Com algumas delas, pessoas começam um relacionamento, confortam uma dor, transmitem uma ideia... Ainda assim, também podem ser usadas para ordenar a morte de alguém, podem destruir uma vida, entre outras infinitas possibilidades. No entanto, existem coisas que só podem adquirir um significado através de gestos, ações e expressões do corpo.
 Em todo o curso em que se seguiu a história do homem, as palavras foram ganhando cada vez mais importância. Muitos acreditavam serem capazes de invocar o poder dos deuses apenas ao falar certas palavras e outros, ainda hoje mais do que acreditam, têm a certeza de que podem pedir proteção (sobre diversas formas) que podem mudar o outro (e de fato podem), por meio do que pronunciam. 
A questão é que por trás de tudo aquilo que é dito, existe aquilo que não é dito, muito mais carregado de significado. De certa forma, as palavras evocam e exorcizam o que está em nosso interior, mas ainda assim, são bastante limitadas, não bastando apenas utilizá-las se não houver forma de o outro perceber o que elas pretender significar.
 Eu, que estou aqui, por trás da criação deste e de outros tópicos, poderia continuar explicando e detalhando minha opinião sobre as palavras, mas isso é algo de extrema complexidade e o que escrevo jamais contemplaria por completo aquilo que pretendo dizer. Por tanto, deixo este tópico para servir de gatilho, que irá proporcionar ao leitor a possibilidade de analisar o que eu disse e o que eu não disse e queria dizer, podendo assim (ou não), chegar próximo ao que pensei.

sábado, 4 de maio de 2013

A Era das Tecnologias Inteligentes e das Pessoas Idiotas



 A tecnologia está cada vez mais inteligente e as pessoas estão ficando cada vez mais idiotas. Hoje é possível utilizar um telefone celular para acessar a internet com alta velocidade, tirar fotos com maior qualidade, jogar jogos incríveis e conversar com amigos de toda parte, operando tudo com um simples toque na tela do celular. E a televisão? Também está adquirindo diversas funções novas, passando a ser, na verdade, um conjunto de aparelhos englobados em um só.
As pessoas, no entanto, ficam proporcionalmente mais idiotas, salvas as exceções. É comum ver pessoas nas redes sociais fingindo ser quem não são muito mais do que já era comum fora do ambiente virtual. Algumas gostam de dizer que são "vida loca" (rebeldes sem causa que gostam de fazer tudo o que querem e que desrespeitam os pais por mera diversão), que fumam maconha, ou que são deprimidas, bipolares e que cortam os pulsos, apenas no mero intuito de ganhar atenção.
Quando um acidente acontece no trânsito, a grande maioria dos indivíduos que param para ver a cena não está interessada em chamar socorro, mas em ver o sofrimento e a desgraça alheia (desculpe-me pela palavra desgraça se você leitor acha o vocabulário muito ofensivo) e de tirar fotos para postar nas redes sociais, para reclamar do descaso do governo com o bem-estar e a segurança da população.
Às vezes parece que simplesmente esse tipo de acontecimento deve ser encarado como "C'est la vie"(É a vida), como algo que não merece mais nenhum tipo de importância. A tecnologia inteligente permitiu um avanço muito rápido na espetacularização de tudo na vida pessoal e alheia. 
Encerro o post com a seguinte pergunta: a tecnologia superará em tudo o ser humano, tornando-o apenas uma marionete fria e sem vida?

domingo, 7 de abril de 2013

A importância do Eu


Dizem que a origem dos maiores problemas da humanidade está em as pessoas não saberem lidar consigo mesmas. No entanto, lidar com si próprio é um problema complexo e, diferentemente de muitas pessoas, eu não acredito que alguém tenha realmente chegado a tal ponto.
Sempre tentamos mudar algo em nós mesmo que não nos agrada e não nos satisfaz, muitas vezes apenas porque não podemos aceitar aquilo que nos incomoda, como algo natural. A solidão e o sentimento de impotência, ou até mesmo de inutilidade, muitas vezes vêm dessa dificuldade de não conseguirmos lidar conosco. Queremos ser perfeitos e capazes de alterar as coisas a nossa volta para adequá-las às nossas necessidades, aos nossos sentimentos e ignoramos que tudo tem seu próprio curso natural que pode resultar em desastres, quando alterados descuidadamente (dificilmente o ser humano tem capacidade para tal).
Devo dizer que não acredito em quem diz que vive em paz consigo mesmo. Para começar, é costume que tentemos rejeitar o sofrimento, a dor e a tristeza, guardando-os em nosso interior. Mas o que deveríamos realmente fazer é compreender a razão de tais sentimentos e procurar crescer com eles, aprender com eles.
Quase nenhum de nós é capaz de entender que "eu", vem antes de qualquer outra pessoa, e não, isso não é egoísmo, pois o verdadeiro egoísta não se importa com ninguém, nem com ele. Antes de podermos fazer algo pelo outro, devemos conseguir nos tornarmos um só com o "eu", podendo então cuidar de todo o resto. Nunca entenderemos o outro realmente, sem antes nos entendermos (cada indivíduo entender a si próprio, mas estou tentando evitar a repetição).
Acredito que aquele que realmente puder chegar à união com o seu interior (de novo uma maneira de evitar repetições), não será alguém que transcende o sofrimento, mas alguém capaz de se deixar sofrer, para obter novas experiências e aprendizados e transformar o que dizemos que é um sentimento ruim em algo bom e motivador.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Sonhos


Definir o que é um sonho é uma tarefa extremamente difícil. No entanto, já se tentou fazê-lo diversas vezes. Alguns dizem que os sonhos são um mundo para o qual nossa mente viaja e experimenta sensações novas, às vezes são retratados como um conjunto de lembranças e memórias que surgem na nossa mente durante o sono... Enfim, vou tentar falar da maneira que sei.
Os egípcios antigos descreviam os sonhos como uma viagem do Ba (parte da alma egípcia, semelhante ao conceito cristão de alma) pelo Duat (o mundo espiritual). O que a pessoa sonhasse era o que seu Ba experimentava enquanto permanecia durante sua viagem. Eles acreditavam ainda que dormindo com travesseiros de granito, era possível evitar pesadelos, pois o peso do granito dificultava que a viagem fosse longa.
Já para os gregos antigos, os sonhos seriam uma espécie de ilusão criada pelos Oneiros (filhos ou irmãos de Hipnos, o sono): Morfeu, que era responsável pelas imagens humanas; Ícelo ou Fobetor, que criava a imagem dos animais e, por fim, Fântaso, responsável pelos elementos restantes dos sonhos.
Eu acredito que os sonhos são o mundo que cada um de nós tem dentro de si. Um mundo que contém nossos maiores segredos, nossos mais profundos desejos e até mesmo os nossos sentimentos mais ocultos. Sonhando podemos ser quem quisermos, fazermos o que quisermos, não há regras. Se os caros leitores desejam entender melhor o que tento dizer, citarei aqui a frase de um personagem famoso no mundo dos filmes (Alvo Dumbledore- Harry Potter): "Porque nos sonhos entramos num mundo inteiramente nosso. Deixe que mergulhe no mais profundo oceano, ou que flutue na mais alta nuvem”.
É importante mencionar ainda que os sonhos podem ser uma maneira de se fugir da realidade, quando esta já demanda um esforço muito grande e se torna terrível. Isso não quer dizer que devemos sonhar o tempo todo e nos esquecermos de viver a realidade. 

domingo, 10 de março de 2013

Orfeu


Orfeu era um poeta e musicista da Mitologia Grega, filho de Apolo e amante de Eurídice, uma ninfa. Orfeu foi um dos cinquenta Argonautas, que foram com Jasão em busca do Velocino (Tosão para os portugueses) de Ouro. Nesta missão, tinha como função, acalmar os homens para que eles não brigassem entre si. Orfeu também livrou os Argonautas da ira das Sirenes com a melodia de sua lira.
Ao tocar sua lira, Orfeu fazia os pássaros pararem de cantar, as árvores curvarem-se ao vento, os rios fluírem mais lentamente, tudo isso para ouvir o som que produzia. Até mesmo os deuses paravam para ouvi-lo. 
Certo dia, Eurídice, a amante de Orfeu, estava fugindo de um apicultor que a perseguia, quando tropeçou numa serpente e foi mordida, morrendo rapidamente. Orfeu decidiu ir até o Mundo dos Mortos, para tentar trazer sua amada de volta. Sua melodia, agora melancólica, permitiu que fosse levado pelo barqueiro Caronte, até seu destino. Conseguiu fazer com que Cérbero, o cão gigante de três cabeças, caísse em sono profundo.
Ao chegar até Hades, o Senhor dos Mortos, pediu que Eurídice pudesse voltar com ele. Hades negou o pedido de Orfeu, até que este tocou sua melodia para Perséfone, a esposa do Senhor dos Mortos. Ela então pediu a seu marido que concedesse o pedido do jovem deus. O pedido fora concedido, no entanto, havia uma condição: Orfeu não poderia olhar para trás sob hipótese alguma até deixar o reino de Hades.
Orfeu levou Eurídice consigo, mas, no momento em que achava ser seguro olhar para trás, percebendo que sua amada novamente havia se tornado uma sombra penosa e agonizante.
Depois de fracassar em seu objetivo, o filho de Apolo passou a dar conselhos de relacionamento para outras pessoas, mesmo que nunca tivesse tido algo em especial com alguém além de Eurídice, algo que resultou em frustração e decepção. Acabou por ser morto pelas Mênades, um grupo de mulheres selvagens que se irritaram com ele por terem sido ignoradas. Os deuses vingaram Orfeu e transformaram as Mênades em carvalhos, até que seus troncos caíram sem vida, no chão.

Curiosidade: Do nome Orfeu é que se deriva a palavra Orfismo, um conceito filosófico.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

O ser invisível

Antes de termos nascido, éramos apenas seres invisíveis sendo carregados no ventre materno, até que nossa existência fosse descoberta, aí passamos a nos tornarmos visíveis para alguém. Quando nascemos, começamos a deixar nossa marca no mundo, mas ainda somos invisíveis para muitos. Quanto mais nossa marca no mundo cresce, mais nos tornamos visíveis e a consciência de que somos visíveis, torna-se um vício.
Todos nós queremos ser visíveis; a sensação que se traz é muito forte, pois nos faz sentir que não estamos sozinhos e parece dar algum sentido maior para nossas vidas. O problema é quando perdemos o controle disso, acabamos por fazer até mesmo o ridículo para sermos notados, mas nada que já esteja ruim está livre de ficar ainda pior... Queremos ser percebidos mesmo que por coisas vazias e sem significado.
Devemos lembrar que um dia nos tornaremos invisíveis de novo, nossa marca sob a terra desaparecerá, quase que por completo, até o dia em que alguém, atento o bastante, perceba a pequena penumbra do que um dia foi uma grande sombra*.
Não devemos nos preocupar com o tamanho da marca que deixamos no mundo. Não adianta que ela seja grande, se no final nos tornarmos completamente invisíveis, esquecidos, inexistentes. Basta que continuemos visíveis para aqueles que nos são mais caros, caso o contrário, se nos tornarmos invisíveis até para estas pessoas, tudo o que fizemos não terá significado e será como se nunca tivéssemos existido.

*Os egípcios antigos usavam a expressão Sheut(Sombra/Estátua) para se referir à parte da alma que corresponde à marca deixada pelo ser humano sob a terra.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Exagero


Ah, o exagero... Tão comum na história da humanidade desde tempos antigos, parece ter ganhado maior importância nos dias de hoje. É comum vermos coisas simples serem transformadas num teatro dramático, como uma cena comum do dia a dia que parece precisar de importância nacional.
O exagero de que falo muitas vezes se faz presente por conta da superficialidade das pessoas, mas é o que mais rende audiências a um telejornal, ou leitores a um jornal impresso ou revista, por exemplo. Às vezes as pessoas preferem dar atenção aos participantes do Big Brother (sem ofensa aos fãs), do que saber como anda a educação em seu próprio país. Percebemos também como os telejornais dão foco às tragédias, como se nada mais acontecesse ao nosso redor.
Normalmente não costumo ser pessoal nas minhas postagens caros leitores, mas neste caso em especial, creio que a pessoalidade se faz necessária para dizer-vos como me incomoda. Pergunto-me o motivo de certas tragédias que acontecessem serem transformadas num verdadeiro desastre. Sim, uma mãe filho por motivos injustos ou motivo nenhum, mas porque alguém simplesmente decidiu tirar a vida desse filho, é trágico. Ainda assim, parece não nos importar as pessoas que estão morrendo ao nosso redor, por não terem condições de receber um atendimento de qualidade num hospital. Parece não importar que ainda haja milhões de pessoas vivendo na miséria, sem direitos a saúde, educação, moradia decente, entre outras coisas, desde que haja futebol na televisão, mulheres nuas no carnaval, cerveja na geladeira e a economia esteja "favorável" (favorável a quem, mesmo?).
Este exagero tem tornado nossa vida uma piada nada engraçada. É algo que nos faz reféns de nós mesmos e nos distrai daquilo que realmente é importante. Mas, como bem sei, essa é uma realidade que só irá mudar quando realmente se tornar irritante.

P.S.: Este post assim como o anterior não é exatamente conclusivo, pois cabe ao leitor definir uma conclusão para o mesmo. Desta maneira, o leitor trabalha a produção enquanto acompanha minhas palavras, em vez de absorvê-las como algo sem valor, apenas uma informação a mais ou uma verdade absoluta e inquestionável.